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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

GEOGRAFIA: Determinismo e Possibilismo


A geografia é uma ciência que estuda o espaço Geográfico, ou seja, o espaço natural modificado. 
Com a chegada do seculo XIX, muitas transformações ocorreram. As revoluções e as mudanças na sociedade alteraram profundamente a vida social. A revolução industrial. O surgimentos dos Estados-Nações, o imperialismo etc… Tudo isso exigia uma ciência que fosse capaz de estudar as relações da sociedade com o meio. A primeira ideia foi a de que a natureza domina as relações e a vida humana.  Esse conjunto de idéias ficaram conhecidas como DETERMINISMO. Um dos criadores desta escola de pensamento foi o alemão Friedrich Ratzel (1844-1904) , considerado como um dos principais teóricos clássicos da Geografia e o precursor da Geopolítica e do Determinismo Geográfico. 
O Determinismo geográfico, acredita que o homem seja um produto do meio, pois as condições naturais é que determinam a vida em sociedade. O homem é escravo do seu próprio espaço!
Ainda no seculo XIX, Paul Vidal de La Blache (1845-1918) um geógrafo francês  funda a corrente de pensamento, que veio a ser denominada por Possibilismo, em oposição ao Determinismo Geográfico de Ratzel. 
Para Vidal, o homem também transforma o meio onde vive. Isso porque ao agir sobre o meio para modificá lo , essas ações humanas abre a possibilidade de o homem interferir na natureza, ou seja modificá-la e não simplesmente ser modificado por ela… isso porque essas não obedeceriam a uma relação entre causa e efeito. 
Essas formas de pensamento geográfico foram as responsáveis para consolidar a Geografia enquanto uma ciência e, ao mesmo tempo ajudando a compreender como se dá a relação entre a sociedade humana e o meio.

RESUMINDO:
    • Apos século XIX a Geografia começa a se estruturar enquanto CIÊNCIA. Neste período destacam duas importantes escolas geográficas. 
    • Determinismo: Tem como expoente  o alemão Friedrich Ratzel - acredita que o homem seria produto do meio, ou seja, as condições naturais é que determinam a vida em sociedade. O homem seria escravo do seu próprio espaço
    • Possibilismo: Tem como criador o francês Paul Vidal de La Blache -   o homem também transforma o meio onde vive. O homem não sofre, simplesmente, a ação do meio natural e sim manifesta a sua ação sobre o meio, sendo o homem um agente geográfico que atua sobre o meio natural, usando sua influência e criando possibilidades de sobrevivência.
FONTE DE CONSULTA WEB
 PENA. Rodolfo Alves.Friedrich Ratzel. disponivel em . Acesso em 26 de janeiro de 2020 por Orlandir Cavalcante
______________ disponivel em https://brasilescola.uol.com.br/geografia/vidal-la-blache.htm
https://www.clickescolar.com.br/possibilismo-geografico.htm

sábado, 6 de janeiro de 2018

EM TEMPOS DE GOLPE - I

Em tempos de golpe, nada mais me surpreende. Esta semana que finda em especial. 
1 - Ministra bandida, filha de pai bandido assume a pasta do TRABALHO. 
2 - Emissoras de TV estão dedicando tempo para dizer que a economia está melhorando e que os investimentos estão aumentando junto com a confiança na economia e que o Brasil está gerando mais empregos, AS QUATRO MAIORES EMISSORAS DE TV do Brasil somam mais de mil e quinhentas demissões EM SEU QUADRO DE FUNCIONÁRIOS NOS ÚLTIMOS MESES..
3 - O Governo BRASILEIRO com a desculpa de INDENIZAR investidores estadunidenses (somente estes) abriu os cofres da Petrobras para doar BILHOES, um montante que supera em quatro vezes todo o valor devolvido pela corrupção da PETROBRAS. Ou seja INDIRETAMENTE VENDERAM A PETROBRAS PARA INVESTIDORES ESTADUNIDENSES.
4 - O GOVERNO FEDERAL QUER PEDALAR MAS PARA NAO SOFRER IMPEACHMENT QUER MUDAR A LEI E OS COXINHAS E ANTICORRUPÇÃO DE ARAQUE NEM UM PIO. TÁ TUDO NORMAL.
5 - a chefe de gabinete do trf4 FAZ CAMPANHA PELA CONDENAÇÃO DE LULA NO FACEBOOK E TUDO BEM, Afinal temos um golpe e toda anormalidade é aceita em nome da estabilidade e governabilidade inclusive a retirada de direitos e a concentração de renda......
Porem uma coisa me surpreendeu nesta semana.....OS PEITINHO DE TEMER... que coisa, não!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

SOCIEDADE BRASILEIRA. ESTADO E PARTICIPAÇÃO

A sociedade brasileira é aquela que sabe que é uma sociedade, quando deveria ser uma sociedade que sabe que sabe que é. Uma comparação entre o Homo Sapien e o Homo Sapiens Sapiens. Não basta saber, mas é preciso que tenha consciência de que sabe, ou seja, Sabe que sabe.
Essa situação tem um fundamento. A nossa origem colonial. O colonialismo circula em nossas veias e, em parte esta herança histórica nos deixa como animal satisfeito que dorme. Mas não podemos ou poderíamos superar esta situação? Temos um exemplo com os Norte Americanos. Lá, desde o inicio, a elite já se impôs e decidiu que trilharia seus próprios caminhos no plano político e econômico e quando a Inglaterra decide mudar as regras houve reação. Claro que estou desconsiderando o massacre dos outros modos de vida como dos indígenas e dos colonos do Sul que foram destruídos sem dó nem piedade em nome do imperialismo Ianque que deveria prevalecer.
É por aqui? Bem, nossa elite política e econômica é preguiçosa, tanto é que os populares tiveram que fazer vários levantes como as revoltas lideradas pelo frei Caneca, os Malês, Os quilombos que pipocaram no Brasil, as inúmeras resistências indígenas enfim foram as camadas populares, o povão e  suas lideranças que fizeram a nossa elite levantar a bunda da cadeira e começar a negociar a independência. Ela veio, mas com ela um perigo. Ou a elite assumia a gerência, ou ficaria a mercê destes grupos populares. Assim, subserviente  e preguiçosa nossa elite mesmo com a independência manteve a estrutura estatal anterior à independência, marcada pelo centralismo, a não transparência e a promiscuidade do público com o privado.
Assim, a política teria que ficar nas mãos desta mesma elite. No primeiro momento toda decisão política ficou centralizada e acreditamos  que isso permaneceu até a proclamação da republica, em 1889, quando de forma programada e excludente o povo foi elijado e a proclamação da república acontece, sem a participação popular, apenas com o protagonismo do Exercito, escorado na Igreja Católica, na Maçonaria e na oligarquia cafeeira paulista.
Mesmo com a república nada muda no plano político de forma efetiva. Continuamos a reproduzir as estruturas  e vícios administrativos externos, dentre eles a exclusão da população nos destinos da política. Porem isso teria que mudar. Os ventos da modernidade do século XIX já não chegavam como uma brisa, mas sim como uma tempestade ou uma ventania. Assumimos o canto da sereia da tal “democracia representativa”. Agora tenho representantes. Eles são eleitos de forma direta, logo a mídia e os discursos são no sentido de dizer que o fato de votar nos faz a maior democracia do planeta. Acreditamos.
Pois bem, como temos uma estrutura de Estado e de Gestão que sempre vem de fora, pois o de fora é mais elegante e correto, nos aquietamos mais uma vez, dormimos como animais satisfeitos, afinal temos democracia, votamos de forma direta mas esquecemos que Estado e Poder econômico caminham juntos.
Nossa tradição permite em alguns casos que os mesmos se imiscuem de tal forma que um atribui ao outro as funções de executar serviços em nome de outrem e com regras pouco claras e inteligíveis para a maioria da população que, providencialmente continua tendo um sistema educacional com limitações operacionais ( que vão desde a horrível estrutura física das escolas até a baixíssima remuneração de seus educadores) e mais recentemente com um elemento a mais, o tal currículo mínimo ( apenas Português, Matemática e Inglês para o Ensino médio – Política de currículo mínimo!). Esta combinação de colonialismo predatório, imobilismo de uma elite que só pensa em seu umbigo e uma população excluída de um sistema educacional amplo, eficiente e critico, nos deixa a mercê mais uma vez .
A Educação Fiscal é sem sombra de duvida uma oportunidade de desvelarmos e desmistificar o âmago do estado em sua estrutura principal a arrecadação. Se nossos educando tiverem acesso desde cedo a este mecanismo podemos ter certeza que com eles cresce a idéia de controle e boa gestão do que é publico e em menos de vinte anos teremos uma geração que irá corroer esta estrutura colonialista e adormecida e instituir um Estado mais democrático e cidadão.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

REFORMA POLITICA E A PROPOSTA DE DILMA

01.Reforma política o que é...
No Brasil, Reforma Política é o nome dado ao conjunto de propostas de emendas constitucionais e revisões da lei eleitoral com fins de tentar melhorar o sistema eleitoral nacional, proporcionando, segundo seus propositores, maior correspondência entre a vontade do eleitor ao votar e o resultado final das urnas.
02. ENTENDA A PROPOSTA APRESENTADA POR DILMA AO CONGRESSO NACIONAL
Na proposta entregue hoje aos presidentes da Câmara e do Senado, a presidente Dilma Rousseff (PT) destacou cinco pontos considerados "de fundamental importância" na reforma política: o financiamento de campanha, a definição do sistema eleitoral e a discussão sobre suplência de senadores, coligações partidárias e voto secreto no parlamento. Veja abaixo as principais discussões sobre cada um dos pontos. 
SISTEMA ELEITORAL

-Sistema majoritário
No sistema majoritário os candidatos mais votados são eleitos. É conhecido entre nós como voto distrital. Modelos em discussão:
a) Voto majoritário uninominal: nesse sistema o território é dividido em distritos e os eleitores de cada um deles elegem um representante na Câmara dos Deputados.
b) Voto majoritário plurinominal: as circunscrições são divididas em distritos que elegem, pelo voto majoritário, seus representantes. A proposta conhecida como "distritão", que prevê a transformação das Unidades da Federação em distritos e a eleição de todos os seus representantes pelo voto majoritário, encontra-se nessa categoria.
-Sistema proporcional
O voto proporcional procura incluir na representação não as maiorias locais ou regionais, mas todos os competidores, na proporção dos votos obtidos. Opções:
a) Sistema proporcional com listas fechadas e bloqueadas: nesses casos a lista é definida pelo partido, normalmente em convenção, e o eleitor pode apenas sufragá-la ou recusá-la.
b) Sistema proporcional com listas flexíveis: nessa variante, os partidos apresentam suas listas e os eleitores podem contribuir, de diversas maneiras, para a alteração dessa ordem.
c) Sistema proporcional de lista aberta: com a lista aberta, a ordem dos candidatos é definida pelo número de votos obtido por cada um deles. O Brasil adotou essa regra de forma pioneira e a emprega desde 1945.
-Sistema misto
Chamado no Brasil de sistema distrital misto, trata-se, na verdade, de um sistema em que parte dos deputados é eleita pelo voto proporcional e parte pelo voto majoritário.

FINANCIAMENTO ELEITORAL E PARTIDÁRIO
Hoje em dia, o sistema vigente é um misto de financiamento eleitoral e partidário (formado por recursos públicos e privados). O financiamento público é formado por recursos do fundo partidário repassados aos partidos e indiretamente pela compensação fiscal a que as emissoras de rádio e televisão têm direito pela cedência do horário eleitoral gratuito.
A proposta de alteração mais significativa tem sido a de tornar o financiamento das campanhas eleitorais exclusivamente público. Também há proposta no sentido de se adotar o financiamento público exclusivo para as eleições para o Executivo, mantendo-se o sistema atual nas eleições para o Legislativo.

SUPLÊNCIA DE SENADOR
Hoje cada senador é eleito com dois suplentes. O suplente substitui o titular em caso de afastamento temporário para ocupar outro cargo ou de licença superior a cento e vinte dias. E o sucede nos casos em que se afasta definitivamente.
Há propostas que estabelecem que o suplente substitui o titular, mas não o sucede, ou seja, só assumirá o cargo em caso de afastamento temporário do titular, não assumindo na ocorrência de afastamento definitivo. Nesse caso haveria novas eleições, exceto faltando menos de sessenta dias para a eleição regular, quando o suplente assumiria a cadeira até o final do mandato. Há também proposta que estabelece que o suplente de senador será o deputado federal mais votado do mesmo partido e outra proposta que preceitua que o candidato a Senador derrotado e com maior votação será o suplente.

COLIGAÇÃO NA ELEIÇÃO PROPORCIONAL
É assegurado aos partidos políticos formar coligações nas eleições proporcionais. Há propostas no sentido de vedá-las. Existe também proposta para permitir a chamada "federação de partidos", mediante a qual dois ou mais partidos poderão atuar como se fossem um só partido.

VOTO SECRETO NO PARLAMENTO
Atualmente, o voto secreto é previsto na Constituição na análise de vetos presidenciais e na cassação de parlamentares no Congresso. Na última quarta-feira, 26, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou a PEC que acaba com o voto secreto em processos de cassação. A proposta será agora analisada em uma comissão especial da Câmara.

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FONTES: Acessadas por Orlandir Cavalcante em 04/07/2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

A celebração do Dia do Índio hoje representa muito mais respeito e inclusão do que a simples identificação da cultura indígena.

O Dia do Índio foi estabelecido em 1940, após o 1º Congresso Indigenista Interamericano, ocorrido em Patzcuaro, no México. O congresso aprovou algumas recomendações propostas por delegados indígenas do Panamá, do Chile, dos Estados Unidos e do México. Dentre elas, foi estabelecido o Dia do Índio, que deveria ser implantado pelos governos dos países americanos, sendo a data a mesma do dia em que os líderes indígenas se reuniram pela primeira vez em assembleia no Congresso Indigenista, em 19 de abril de 1940. Os países americanos foram convidados a participar dessa celebração. A comemoração da data deveria ser um momento dedicado ao estudo dos problemas socioculturais que envolviam esse grupo étnico.

No Brasil, o Dia do Índio foi aprovado pelo Decreto-lei nº 5.540, de 02 de junho de 1943, seguindo as recomendações do Congresso Indigenista Interamericano. O decreto foi assinado pelo então presidente Getúlio Vargas e pelos ministros Apolônio Sales e Oswaldo Aranha. Talvez essa tenha sido uma das primeiras tentativas institucionais de se repensar o lugar do indígena em nosso país, mas, ainda, de forma inicial e envolta em anseios nacionalistas. Desde então, comemora-se com solenidades, sobretudo no âmbito escolar, atividades e práticas de divulgação das culturas indígenas. Mas até que ponto essa preservação da memória indígena tem se desdobrado em políticas voltadas para esse grupo étnico? E hoje, qual a significação política e cultural de tal data?

A incorporação da memória e da cultura indígena foi uma prática política adotada com mais enfoque até 1988. A partir da Constituição de 1988, e mesmo nos dias atuais, a política indigenista tem adotado medidas de cunho mais pragmático, como a garantia das terras e o desenvolvimento de atividades educacionais e sociais voltadas para a etnia indígena. Em nossos dias, apesar da questão cultural e memorial ainda estar presente, a data representa mais do que uma simples rememoração, mas a efetivação parcial de uma luta que perpassa a história de muitos países da América. O indígena nunca adotou uma postura totalmente passiva perante as injustiças e estratégias de dominação de seus territórios e de seu lugar na sociedade.

Desde a década de 1990, tem crescido a presença indígena nos centros urbanos e nas regiões rurais que cercam as cidades. Mas essa situação não denota uma maior incorporação dessa etnia, requerendo, ainda, uma inclusão e um respeito maiores. A celebração do Dia do Índio hoje representa muito mais esse respeito e inclusão do que a simples identificação da cultura indígena.
Fonte : PORTALRCE  http://www.portalrce.com.br/web/ismc/detail?ebr_id=212861

quinta-feira, 14 de março de 2013

ATIVIDADE DE SALA

Esta atividade é direcionada aos alunos da segunda série do Ensino Médio - do Instituto Santa Maria em Cáceres.
1. O primeiro passo será a leitura destes textos (tempo 10 minutos)
A ECONOMIA DA CRIATIVIDADE - GRUPO 01
À MEDIDA QUE CRESCE O WIKILEAKS, TAMBÉM CRESCE A CONCORRÊNCIA - GRUPO 02
BOOM TECNOLÓGICO FINANCIA GUERRA NO CONGO  - GRUPO 03
CONTROLAR A INTERNET - GRUPO 04
Tendências do Mundo do Trabalho GRUPO 05

2. Discussão com outros componentes do Grupo sobre o texto lido. Atente para o fato de que cada um deverá dar sua opinião. Alguem fará as anotações necessárias sobre o dialogo do grupo. (tempo  10 minutos)

3. Depois de dialogar e anotar as observações sobre o texto lido. O grupo fará uma apresentação, com no maximo 5 slides. O slide deverá ter o titulo, identificação da disciplina. professor e alunos/as ( nomes completos).
Será avaliado a clareza, beleza e criatividade, alem é claro a desenvoltura do grupo na exposição do conteudo. (tempo 20minutos)

4. Cada grupo terá exatos 5miutos para fazer a apresentação.





quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Territorialidade do Ciberespaço

Profª. Msc. Michéle Tancman Candido da Silva
UFF / Fundação CECIERJ

Introdução



Ao pensar, neste início de milênio, nas relações que se estabelecem entre a Geografia e o avanço das novas tecnologias informacionais, é possível fazer um estudo das novas bases das relações de socialidade na virtualidade do ciberespaço e os seus reflexos na base material da sociedade. Muitas vezes, a localização de nossos corpos não mais define o circuito de interações: a pessoa que agora passa, logo ali, adiante de nossa casa, encontra-se mais distante que o nosso amigo no Canadá.
Antes de prosseguirmos, faz-se necessário definirmos como entendemos ciberespaço. Para nós, o ciberespaço é visto como uma dimensão da sociedade em rede, onde os fluxos definem novas formas de relações sociais. Embora não esgote, nem represente todo o ciberespaço, encontramos na Internet a principal rede telemática mundial. As relações sociais no ciberespaço, apesar de virtuais, tendem a repercutir ou a se concretizar no mundo real. Marcam, portanto, um novo tipo de sociedade. O indivíduo rompe com alguns princípios tidos como regras sociais, alterando alguns valores e crenças, sem que isso seja uma determinação da sociabilidade existente no mundo.
Vários exemplos poderiam ser narrados aqui. Desde relatos de interações pessoais, de novas formas de empregabilidade e de novas formas de estudar, até atitudes antes inimagináveis, como algumas que tomam as manchetes de jornais. Recentemente, o jornal O Globo publicou uma notícia, cujo o título era: "Terror em nome da natureza - Ecologistas se unem pela Internet, usam vandalismo como estratégia e assustam os EUA". A reportagem conta a trajetória do grupo Elf - Earth Liberation Front (Frente de Libertação da Terra), cujo slogan é Vocês constróem e nós queimamos. E mostra que a única informação das autoridades dos EUA sobre o grupo é do FBI (Polícia Federal), que o classifica como a organização terrorista mais perigosa do País. Nada mais! Onde estaria a sua sede? Ninguém sabe. Quem faz parte dela? Os policiais não têm a menor ideia, não existe líder, não existe estrutura vertical. Esta notícia chama a atenção por várias razões. A primeira, por serem os EUA uma nação com um poderio tecnológico imenso, mas impotente quanto à visibilidade dos integrantes do grupo, do qual nada se conhece a não ser os seus atos; e outra, porque toda ação realizada no mundo real, grafada por pichação, feita com spray vermelho, é fruto da disseminação de ideias que se movem rapidamente pela Internet. Isso mesmo! A esquerda utilizando os meios tecnológicos oriundos do capital. Este fato elucida a importância e a força do discurso no campo das ideias, o poder de falar e de emitir valores, o poder da criatividade, ao mesmo tempo em que influencia e, dependendo de sua lógica, é capaz de criar ações. Dificilmente, se assim podemos afirmar, encontraríamos um campo tão fértil como o ciberespaço para disseminar o discurso. O discurso se transforma em poder residente nos códigos da informação. Para Castells, o poder na Era da Informação é, a um só tempo, identificável e difuso. As ideias virtualizadas e interativas provocam ações no espaço concreto. Eis um dos impactos no mundo real provocados pelo ciberespaço.
Toda essa introdução se fez necessária para que possamos trazer algumas questões que devem servir como análise geográfica. Os geógrafos, acostumados a analisar diferentes escalas e sempre acompanhando transformações, não podem deixar de criar mecanismos para compreender o ritmo das novas mudanças na sociedade, principalmente depois da Globalização, cujos reflexos sempre resultam em novas configurações espaciais.
O geógrafo, mais do que qualquer outro profissional, ao buscar analisar os reflexos que as novas tecnologias informacionais provocam na sociedade e no espaço, estará de maneira valiosa contribuindo para a compreensão desse novo momento em que caminha a sociedade. Abre-se, então, uma discussão do papel do geógrafo neste novo milênio. Antes, porém, é importante registrar a necessidade de compreendermos o ciberespaço como Espaço Geográfico, livre dos constrangimentos clássicos das categorias de estudo da Geografia. Carentes de conceitos da Geografia capazes de explicar o momento que estamos passando, buscaremos utilizar algumas metáforas, objetivando uma maior compreensão dos assuntos aqui tratados.

O Território no contexto do Ciberespaço

No ciberespaço entramos em uma virtualização da realidade, uma migração do mundo real para um mundo de interações virtuais, ou vice-versa, onde existe uma constante produção, (re)produção das relações sociais do espaço. Uma realidade objetiva muitas vezes iniciada no ciberespaço, e que traz consigo um propósito de finalizar-se no mundo real, mais cedo ou mais tarde, direta ou indiretamente, estabelece as trocas identitárias, mesmo não havendo contato físico.
No ciberespaço, o ambiente é marcado por uma não-espacialidade. Não se pode ensinar ao cibernauta o percurso que se faz para chegar a um lugar, de forma igual ao dos mapas, aos trajetos do mundo real, porém, de alguma forma, os grupos, as pessoas, astribos se encontram num lugar virtual. Reconhecem o território de cada grupo. Um território digital é como se fosse um corredor de movimentação de informações e imagens que demandam organizar zonas de fixação. Para a Geografia, a busca do lugar para explicar as transformações espaciais tende a perder o rumo das orientações de localização no ciberespaço. As noções básicas de localização e desenraizamento ficam confusas. O ciberespaço, mais que um lugar, ou um não-lugar, ou até mesmo um lugar virtual, afirma-se como um espaço imaterial, um meio operativo de como podemos nos mover, trabalhar, construir, criar, investir. Enfim, relações sociais!
O ciberespaço ultrapassa todos os paradigmas da representação do real. O território aqui é apropriado pela subjetividade de seus frequentadores, que simulam o que apreenderam da realidade objetiva do mundo. A ideia de trazer para a rede uma percepção de projeção de um território organizado de representação do que estabelecemos com o real nos faz pensar, então: o que seria o território da rede? Existe alguma forma de poder na delimitação de um território cibernético? Podemos frequentar todos os territórios estabelecidos na rede? Estas indagações podem e devem ser esclarecidas quando partimos do princípio de que a dimensão territorial do ciberespaço está vinculada à simbologia de globalidade dos usuários da rede. Esta ideia de globalidade é a forma como o usuário percebe o mundo e o reapresenta na telinhado computador. Ao digitar a palavra-chave de acesso que o levará ao site, por exemplo, cuja ideia de representação é a cidade de Nova York, Paris, Rio de Janeiro ou Niterói, o usuário viajante terá a sensação de estar no local, mesmo que, na compreensão mais lógica, esteja fisicamente fixo. Esta sensação permite ao usuário estabelecer conexões, mesmo próximas a sua máquina, com um mundo a ser explorado através de um simples click do mouse. É possível percorrer todos os museus de acervoon-line, conhecer outras culturas, pertencer a grupos tribais de identidade, fazer compras, ir ao shopping, estudar em universidades. Ainda que todos estes lugares visitados façam parte de uma máquina. A qualquer momento, a máquina pode ser desligada ou sair do "ar" por "intempéries cibernéticas", ou para que se possa inserir mais dados para atualização (quando uma página é alimentada pelo webmasterinterrompe a conexão). O tempo pode ser instantâneo ou não. A sensação de estar em um determinado lugar é tão presente que, ao questionarmos o ciberespaciano sobre o que ele está executando como tarefa em frente ao computador, as respostas nunca serão relacionadas a estar conectado na máquina X vendo imagens de Y. Ele sempre irá responder que está visitando a universidade, o museu, um shopping, participando de um leilão, indo ao bingo ou lendo uma revista (na concepção que conhecemos). Todas as formas percebidas estão de acordo com o modo como ele apreende o real. O usuário não percebe que o mundo online é uma materialidade de máquinas conectadas umas às outras.
Na tentativa de responder se existe alguma forma de poder na delimitação de um território cibernético, teremos que levar a nossa análise ao racismo, à violência, ao submundo. Estes criam territórios segregados, fazendo com que aqueles que não se identificam ou não participam do grupo, excluídos por inúmeras razões, tornem-se os indesejáveis, impedidos de entrar ou de permanecer sem serem convidados. Uma outra forma de segregação que pertence à arquitetura do ciberespaço é analisada por nós através do que Aurigi e Graham apresentam. Ela é formada por três grupos principais: um grupo de elite, que utiliza pesadamente as tecnologias da informação; um segundo grupo, menos influente, que não pode ser caracterizado como de fortes usuários da informação, mas como um agrupamento daqueles usados pela informação (information used) e um terceiro grupo, formado pelos off-line, os desconectados, que não participam da sociedade da informação de forma direta e autônoma. Estes são os excluídos do ciberespaço. Entendemos, assim, que o território cibernético existe, mas sua delimitação não é a de um território de acesso para todos. Os sujeitos ou objetos fazem das leis da lógica as chaves de entrada/saída (On/Off). Os territórios cibernéticos são, acima de tudo, representações de territórios individuais e/ou privados, quer a nível grupal, quer pessoal.

O Território Cibernético e os Rizomas

O Território Cibernético muito se assemelha a um rizoma. Os rizomas se ramificam e se reticulam, num intenso processo de desterritorialização e reterritorialização das relações sociais (Guattari e Deleuze). O termo rizoma é empregado, metaforicamente, por Guattari e Deleuze para explicar a dinâmica do ciberespaço. Objetivando ampliar a discussão da relação existente entre o que vem a ser um rizoma e o ciberespaço, buscamos aqui compreender melhor a origem da palavra rizoma, e de que forma ela é aplicada na botânica. No Dicionário Universal da Língua Portuguesa, o vocábulo rizoma vem do grego, rhízoma, raiz, s. m., "caule subterrâneo horizontal". No dicionário Michaelis a definição do termo se amplia: ri.zo.ma s.m. Bot. (rizo+oma), "caule subterrâneo, no todo ou em parte, de crescimento horizontal". Em ambas, é possível perceber o princípio de que o rizoma é um caule e está em constante crescimento horizontal, passando por diferentes pontos subterrâneos.  Na Botânica, o termo rizoma foi definido por Damião Filho.
Como podemos verificar, um rizoma apresenta uma complexidade que muito se assemelha ao novo paradigma tecnológico. Deleuze e Guattari, nesse sentido, foram brilhantes ao explorar o termo rizoma. Eles estabeleceram os princípios do funcionamento do rizoma. Mencioná-lo enriquecerá ainda mais a nossa compreensão.
1º e 2º - Princípios de conexão e de heterogeneidade: "Qualquer ponto do rizoma pode ser conectado com qualquer outro e deve sê-lo. Isso não sucede com a árvore nem com a raiz, que sempre se fixam a um ponto, uma ordem. Enquanto a árvore funciona por dicotomias, no rizoma, pelo contrário, cada quebra não remete necessariamente para uma quebra linguística: elos semióticos de qualquer natureza ligam-se nele com formas de codificação muito diversas, elos biológicos, políticos, econômicos etc., pondo em jogo não apenas regimes de signos muito distintos, mas também os estatutos das coisas."
3º - Princípio da multiplicidade: "Só quando o múltiplo é tratado efetivamente como substantivo, multiplicidade, ele deixa de ter relação com o Uno, como sujeito ou como objeto, como realidade natural ou espiritual, como imagem e mundo. As multiplicidades são rizomáticas e denunciam as pseudomultiplicidades arborescentes. Uma multiplicidade não tem nem sujeito nem objeto, mas unicamente determinações, tamanhos, dimensões que não podem aumentar sem que ela mude de natureza - as leis de combinação aumentam, pois, com a multiplicidade."
4º - Princípio da ruptura a-significante: "Aparece por oposição aos cortes excessivamente significantes que separam as estruturas ou as atravessam. Um rizoma pode ser rompido, interrompido em qualquer parte, mas sempre recomeça segundo esta ou aquela das suas linhas, e ainda segundo outras." É por isso que os autores afirmam que é impossível acabar com as formigas, posto que formam um rizoma animal que, mesmo destruído na sua maior parte, não cessa de se reconstituir.
5º e 6º - Princípio da cartografia e da decalcomania: "Um rizoma não responde a nenhum modelo estrutural ou generativo. É alheio a toda ideia de eixo genético, como também de estrutura profunda. Os sistemas em árvore funcionam por decalque da realidade, limitam-se a descrever algo que se dá por feito. De forma distinta, o rizoma funciona como um mapa. Se o mapa se opõe ao decalque é precisamente porque está totalmente orientado para uma experimentação que atua sobre o real. O mapa não reproduz um inconsciente fechado sobre si mesmo, o constrói. O mapa é aberto, conectável em todas as suas dimensões, desmontável, alterável, susceptível de receber, constantemente, modificações. Pode ser rompido, alterado, adaptar-se a montagens distintas, iniciado por um indivíduo, um grupo, ou uma formação social. Uma das características mais importantes do rizoma talvez seja a de ter sempre múltiplas entradas."
A relação entre o território cibernético, o rizoma e os princípios estabelecidos por Deleuze e Guattari é tão forte que seria possível utilizar a palavra ciberespaço em todos os lugares do texto onde se lê rizoma. Teríamos uma fiel compreensão do que seria o território cibernético. Todos os princípios se aplicam. De fato, no território cibernético não existe um único ponto fixo (no sentido do ponto de conexão) como porta de entrada. Nossas conexões são estabelecidas a partir de qualquer lugar do planeta. Não conhecemos e não reconhecemos por onde passamos, mas sempre chegamos. Caminhamos por este território à procura dos pontos, muitas vezes utilizando a bússola dos provedores de busca, outras por endereços eletrônicos conhecidos. A alguns podemos, inclusive, indicar a localização precisa deste território. Este território é heterogêneo, encontramos múltiplas e crescentes dimensões de relações sociais. As múltiplas dimensões se estabelecem a cada conexão onde se é capaz de mudar a natureza das relações, à medida que as conexões evoluem. As trocas simbólicas permitem diferentes possibilidades.
A ruptura a-significante no território cibernético tem um caráter não significativo, por se tratar de uma ruptura não definitiva das relações sociais. A reconexão pode ser feita a qualquer instante, desde que se tenham os pré-requisitos de acesso. Pode-se conectar, desconectar, estabelecer vínculo com parte do território cibernético, desconectar no sentido de desterritorializar este mesmo território e reconectar, comparado a uma reterritorialização. Todo este processo passa pelo consciente do ciberespaciano do poder retornar. Interessante o fato de não ser definitivo como algum fim, uma morte. Este TDR (Territorializar, Desterritorializar e Reterritorializar) traz uma associação entre o prazer de estar na rede (ON) e a morte (OFF) no ciberespaço. Os envolvimentos no mundo mediático e as próprias velocidades das relações não permitem pensar, a não ser o instante da ação. Vida e Morte no ciberespaço têm a conotação do início e do fim constituído pelo tempo necessário a reencontrar o ponto de partida. A morte no ciberespaço é uma desconexão sem que a integridade física seja afetada. Ainda assim o OFF não estaria desligado totalmente do ciberespaço porque deixou,  através de sua representação, todas as suas relações com ele salvas e perenes.
Lemos (idem) observa em seu texto:
"Muitas são as semelhanças entre as estruturas rizomáticas e o Território Cibernético. Ambos são descentralizados, conectando pontos ordinários, criando territorialização e desterritorialização sucessivas. O ciberespaço não tem um controle centralizado, multiplicando-se de forma anárquica e extensa, sem que se estabeleça uma ordem, a partir de conexões múltiplas e diferenciadas."
Segundo Levy, quando apresenta o Princípio da Mobilidade dos Centros, 
"A rede não tem centro, ou melhor, possui permanentemente diversos centros que são como pontas luminosas perpetuamente móveis, saltando de um nó a outro, trazendo ao redor de si uma ramificação infinita de pequenas raízes, de rizomas, finas linhas brancas esboçando por um instante um mapa qualquer com detalhes delicados, e depois correndo para desenhar mais à frente outras paisagens de sentido."
O ciberespaço permite agregações ordinárias, de pontos a pontos, onde entram em jogo toda a dialógica (Morin) em manter a unidade de noções antagônicas, ou seja, unir o que aparentemente deveria estar separado, o que é indissociável, com o objetivo de criar processos organizadores e, portanto, complexos entre o particular e o geral e a formação de comunidades virtuais. As conexões do ciberespaço, assim como aquelas dos rizomas, modificam as suas estruturas, caracterizando-se como sistemas complexos e auto-organizantes. Como explicam Deleuze e Guattari, a árvore impõe o verbo ser, mas o rizoma tem como tecido a conjunção e...e...e.... Esta é a forte atração do ciberespaço que leva o ciberespaciano a mergulhar nas possibilidades e potencialidades de uma sociedade frente à revolução tecnológica de modo a torná-la um simulacro da sociedade real.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

TEORIA DA JANELA QUEBRADA

Um exemplo que vale a pena conhecer:
Em três anos, o número de delitos em Nova Iorque foi reduzido à metade. O índice de homicídios é o menor dos últimos 30 anos. Para isso, foi utilizada a teoria das janelas quebradas: resolver os problemas enquanto ainda são pequenos.
Dois criminologistas da Universidade de Harvard, James Wilson e George Kelling, publicaram a teoria das "janelas quebradas" em The Atlantic, em março de 1982. A teoria baseia-se num experimento realizado por Philip Zimbardo, psicólogo da Universidade de Stanford, com um automóvel deixado em um bairro de classe alta de Palo Alto (Califórnia). Durante a primeira semana de teste, o carro não foi danificado. Porém, após o pesquisador quebrar uma das janelas, o carro foi completamente destroçado e roubado por grupos vândalos, em poucas horas.
De acordo com os autores, caso se quebre uma janela de um edifício e não haja imediato conserto, logo todas as outras serão quebradas. Algo semelhante ocorre com a delinqüencia.
A teoria começou a ser aplicada em Boston, onde Kelling, assessor da polícia local, recebeu a incumbência de reduzir a criminalidade no metrô - um problema que afastava muitos passageiros, gerando um prejuízo de milhões de dólares. Contudo, o programa não chegou a ser concluído por causa de uma redução orçamentária.
Em 1990, Kelling e Wilson Bratton, foram destinados a Nova Iorque e começaram a trabalhar novamente. O metrô foi o primeiro laboratório para provar que, se "arrumassem as janelas quebradas", a delinqüencia seria reduzida. A polícia começou a combater os delitos menores. Aqueles que entravam sem pagar, urinavam ou ingeriam bebidas alcoólicas em público, mendigavam de forma agressiva ou que pichavam as paredes e trens eram detidos, fichados e interrogados. As pichações eram apagadas na hora, e os "artistas" não podiam admirá-las por muito tempo.
Após vários meses de campanha, a delinqüencia no metrô foi reduzida em 75% e continuou caindo de ano para ano. Após o sucesso no metrô e nos parques, foram aplicados os mesmos princípios em outros lugares e em outras cidades. Não se afirma que os resultados obtidos sejam exclusivos destas medidas, mas a experiência de Nova Iorque repercutiu em todo o país.
Artigo extraído do jornal Interprensa - junho/1997


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Não esqueçamos da luta politica

Impressionante como os brasileiros estão creditando suas esperanças na Lei e nos tribunais. Estamos judicializando tudo! A lei resolve o problema para a falta de médicos na saúde publica, vagas nas escolas de educação básica, aplicação do dinheiro publico de forma correta por parte dos gestores etc.
A sociedade brasileira está vivendo sob o império da lei literalmente. O poder público só reage na maioria das vezes mediante mandamentos judiciais.

As leis as quais estou me referindo são normas positivadas (escritas). Para ser lei especificamente tem que ser aprovada por órgão competente, no caso o Legislativo. Os legisladores são os responsáveis em materializar o clamor do povo em textos de leis.

Nem sempre a aplicação da lei significa que justiça foi ou está sendo feita. A aplicação da lei ao caso concreto resolve uma pendência, algo que está provocando desarmonia entre as partes ferindo o sistema jurídico. Aplicar a lei é restabelecer a paz social e a segurança jurídica em ultima instancia. A justiça é uma acomodação do espirito, é uma aceitação da imposição tanto por parte do vencedor, do perdedor e da própria sociedade. Daí porque se estabelece o principio de que decisão judicial se cumpre e não se questiona, afinal se permitisse o contrario a paz social e a segurança jurídica jamais se concretizaria.

Mas como podemos identificar uma lei justa? Na verdade não é tão fácil assim! Podemos dizer que lei justas são aquelas que encarnam os ditames do povo. Como fazer leis que sejam a encarnação dos anseios populares? Estas leis devem ainda surgir em um ambiente onde haja mecanismos de participação popular, ou seja onde o respeito aos direitos e garantias fundamentais da pessoa humana, ás liberdades de opinião, expressão, religiosa, ideológica, de pensamento e de organização sejam regras petrificadas nos textos constitucionais e nas mentes. Somente um ambiente democrático pode produzir leis justas!

A democracia é uma construção histórica e social. Seu fundamento reside na possibilidade de participação de TODOS/AS nas decisões do poder político organizado. O instrumento de efetivação é o DEBATE. Lá na Grécia debatiam na praça central da cidade, atualmente nas Câmaras de vereadores/as, nas Assembleias Legislativas e no Senado da República e, porque não citar outras instâncias como sindicatos, salas de aula, universidades, Igrejas, partidos políticos, bares da promoção, praças, ruas e avenidas enfim, a sociedade moderna inova a cada dia quando o assunto é instâncias de debate e de discussão.

Quero ainda esclarecer que a nosso ver para que haja discussão tem que se garantir condições de igualdade entre os debatedores, daí porque todas as constituições democráticas possuem artigos que garanta a igualdade entre todos os cidadãos. Toda e qualquer tentativa de diminuir espaços de discussão é um atentado à democracia.
Fazer politica é debater e participar. Estamos perdendo esta capacidade. Criamos um asco e rancor à participação politica. Não queremos mais falar em politica. Politica é suja. Politica não presta. Denegrimos a classe politica, principalmente aqueles que são nosso parceiros e representantes no processo democrático. No caso os vereadores/as, os deputados estaduais/federais/distritais e os senadores.

Votamos nesta turma de qualquer forma. Resultado estamos colocando muitos bandidos nas casas legislativas, muitos desonestos e indignos, isso tudo por preguiça de fazer debates políticos. Preferimos nos refugiar nos artigos das leis para ter minhas satisfações realizadas e entronizar em altares membros do judiciário que sequer passam pelo crivo da aprovação popular para resolver problemas que a luta politica daria conta e assim fortaleceríamos a democracia em nosso país.

Porque não nos envolvamos na luta politica e não jurídica? Para isso façamos o seguinte. Você vai numa escola publica e quer matricular seu filho menor. Não tem vaga nas escolas próximas à sua residencia. As salas estão lotadas. Você vai ao Ministério Publico ou ao Conselho Tutelar e vem com uma determinação. Consegue a matricula de seu filho na escola perto de sua casa! Pronto. Resolveu seu problema. Garantiu o cumprimento da lei. A luta jurídica é assim! Satisfaz pretensões.

Agora vamos à luta politica?! Que tal depois de ter conseguido a vaga de seu filho na escola que você deseja vá visitá-lo na sala de aula. Está com quarenta e sete anos mais seu filho quarenta e oito. Vidros estraçalhados, prontos para decepar dedos e cotovelos dos alunos. Sem ventilação. Teto úmido e cheio de mofo. Professor com voz rouca (trabalha em duas escolas). Só há uma saída neste caso ou você continue a falar mal da escola publica ou se junte à gestão da escola e crie mecanismos de pressão politica para melhorias e construção de mais salas de aula se for necessário. Vai demorar? Não sei. Mas de uma coisa eu sei sua atitude politica servirá para resolver o problema de toda uma sociedade.

Voltemos à politica. Discutamos nossos problemas. A letra de Lei mata diz as escrituras, mas o espirito vivifica. Sabe que espirito é este? O espirito da democracia que está morrendo pela nossa aversão à luta politica.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS - 1948

  A  Declaração Universal dos Direitos Humanos  ( DUDH ) é um documento base não jurídico que delineia a proteção universal dos  direitos hu...