sábado, 19 de abril de 2025

MÃOS DADAS, um poema de Carlos Drummond de Andrade

 Não serei o poeta de um mundo caduco. 

Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. 

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. 

Entre eles, considero a enorme realidade. 

O presente é tão grande, não nos afastemos. 

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.  

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes, a vida presente. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente aqui este texto....

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS - 1948

  A  Declaração Universal dos Direitos Humanos  ( DUDH ) é um documento base não jurídico que delineia a proteção universal dos  direitos hu...